A Crítica

A cor na pintura de Lando

A cor afeta tanto os olhos quanto o coração, ou seja, tanto física quanto metaforicamente, de maneira muito mais direta do que outro qualquer elemento na pintura. Em sua forma física elementar, a cor é uma sensação produzida nos bastonetes e cones da retina pelas ondas de luz de comprimentos distintos. Em seu aspecto poético e místico, a cor pode variar entre uma sensação de palpitante calor, a nos envolver pela emoção, e uma fria e calma, mas revigorante sensação de luz e espaço-tempo. Devido a essas sensações, é quase impossível definir cor. Já foi sistematizada por teóricos no fim do século XVIII e início do século XIX, entre os quais: Newton, Chevreul, Munsell, Ostwald e Goethe. Apesar disso, o seu correto uso teórico não assegura ao pintor a produção de uma bela pintura.
Todas essas reflexões vieram-me à mente no instante em que olhei para as pinturas de Lando, pela primeira vez, há dois anos.
Seu método de pintura é uma verdadeira alquimia: Os fundos são matéricos, pois misturados à cera de abelha, ele faz uma pasta assemelhada ao método da encáustica, usada pelos gregos nos frontispícios de seus templos. Depois de o fundo estar pronto, Lando inicia o seu processo de luz e sombra. Ou seja, da sombra faz nascer a luz. Daí chegamos à cor que emana da luz. A cor verdadeira ou a pigmentação de diversas substâncias varia de ondas imperceptíveis de luz infravermelha e ultravioleta à cor aplicada na superfície da tela. As origens da pigmentação são quase infinitas. Em Lando, a cor pode ser refletida através da colagem de tecidos coloridos e outros objetos que o artista adiciona com maestria e imperceptivelmente. Há uma preocupação pelas relações luz-cor, a partir de materiais insólitos, que deixam suas marcas na tela, como em alguns casos de quadros desta mostra de Lando. Poderíamos dizer que se tratam de assemblages virtuais, uma vez que, após suas retiradas, ficam só as marcas de suas formas de maneira indelével.
Os vermelhos, azuis e amarelos de Lando lutam entre si pela posse da luz. Os fruidores terão sentimentos físicos e emocionais diferentes diante dessas telas de forma diversa e diferenciada. Cores quentes, altamente saturadas, como os amarelos e vermelhos. produzirão excitação; enquanto as cores frias, como os azuis, tendem a acalmar-nos. A arte abstrata de Lando, trata somente das relações entre cores e luminosidades. Nada quer representar; nem a natureza, nem o ser humano, mas sim, como queria Kadinsky, reproduzir os sentimentos da alma, o íntimo de nós; não o universo físico, mas o metafísico. Devemos ver em sua obra as relações de luz e cor, jamais tentar descobrir relações com o mundo exterior, mas sim deixar fruir a poesia de cores e formas existente em nosso íntimo.

Alberto Beuttenmüller 

Poeta, jornalista, professor, curador e crítico de arte.

 

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